Itapetinga
realmente mudou e começa a fazer história. Infelizmente, uma história triste e
desprezível. Parafraseando Clarice Lispector: Desprezo é pouco, o que o
prefeito de Itapetinga tem por nossa cidade ainda não tem nome. Depois da perda de prazo para o registro de
candidatura, o atual prefeito estrapolou todos os limites da incompetência com
o plano de governo apresentado ao TSE – Tribunal Superior Eleitoral.
A
lei eleitoral atual exige uma apresentação, no momento do registro da
candidatura, de um plano de governo. É, sem dúvida, um excelente artifício de
comprovação de compromisso e estrutura de cada candidato. No entanto, o plano
apresentado por José Carlos Moura, disponível no site oficial do TSE, é uma
prova concreta da falta de compromisso e responsabilidade mínima exigida a um
administrador público.
Se
já é um ato abominável a alunos de ensino médio a cópia de trabalhos alheios,
imagine o que não pode se caracterizar a cópia de um programa de governo por um
candidato a prefeito de um município. Foi exatamente isso que fez José Carlos
Moura. O plano que pode ser visualizado pelo portal www.tse.jus.br é uma cópia quase fiel do
programa de governo de São Bernardo do Campo. O descaso foi tão grande que o
candidato petista e seus assessores não se preocuparam em, sequer, subtrair do
texto original o nome de uma das cidades que compõem o ABC Paulista.
Logo
na apresentação do plano, no texto assinado pelo atual prefeito de Itapetinga –
frisando o nome da nossa cidade, muitas vezes “esquecida” pelo candidato à
reeleição – destaca-se: “Elas (as propostas) refletem o nosso objetivo de potencializar a vocação industrial de São
Bernardo do Campo, estimulando a vinda de novos empreendimentos, gerando mais
emprego e renda, contribuindo para o desenvolvimento humano e social”.
Desenvolver São Bernardo do Campo, prefeito?! E Itapetinga, começa a ser
potencializada quando?!
As
barbaridades nao páram por aí. Entre as propostas para a cultura temos: “Criar
um programa permanente de apoio às comunidades das escolas de samba e de ação
cultural voltada às manifestações do samba”. Nunca foi escrito, em
nenhum dos nossos livros que falam sobre a história de Itapetinga, nada sobre a
existência de escolas de samba em nossa cidade. No estado do axé, não vai haver
espaço para samba paulista.
Para
o esporte, o plano de governo destaca o resgate
“ao maior evento de futebol da cidade, a Copa São Bernardo, criada em
1989”. Alguém já ouviu falar nessa copa criada há mais de 20 anos? E no
Volkswagen
Clube, espaço público de esporte e lazer que o prefeito diz que irá
reestruturar?
Os
itapetinguenses estão satisfeitos com estas propostas?! Imaginem o que nos
aguarda para a cultura. Diz o plano de governo petista: “Estabelecer política social
especial, em parceria com o governo federal, para a comunidade indígena no
bairro Curucutu”. Em que parte da cidade fica esse bairro? Onde estão
escondidos estes índios? Quem são eles? De onde vieram?
O
candidato a reeleição, após quatro anos de mandato parece não ter se cituado
ainda em nossa cidade. Ele não sabe, por exemplo, que o ProJovem, programa
federal cujo objetivo é desenvolver o protagonismo juvenil, já está instalado
desde 2007, com quase 400 inscritos e, por isso, sua instalação não pode ser
proposta para plano de governo desta eleição.
Não sabe também que na nossa cidade o projeto Turma Cidadã não existe e,
portanto, não pode ser ampliado antes mesmo da sua criação.
O
programa de governo petista diz ainda que “qualidade de vida para todos, em todos os
cantos é garantir segurança, moradia, transporte e meio ambiente saudável,
inclusive em bairros distantes, o que não acontece em São Bernardo”. E
em Itapetinga, prefeito? Acontece? Ou você não está preocupado com a nossa
cidade?
Em
sua conclusão, o prefeito afirma que “o morador de Itapetinga tem orgulho de seu
município, de sua história”. Posso afirmar que nosso orgulho tem
diminuído a cada ano desta gestão ao ver a inoperância governamental. Nosso
povo foi ridicularizado e ludibriado após entregar a sua história para ser
escrita por quem não tem o menor compromisso com o trabalho, com a verdade, com
a lisura e com a honestidade. Por quem não tem compromisso com o povo. E quem
não tem compromisso com o povo não pode representá-lo.

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